sábado, 29 de maio de 2010
Lágrimas da vida
Se tu souberas que lembrança amargaQue pensamento desflorou meus dias,Oh! tu não creras meu sorrir leviano,Nem minhas insensatas alegrias!
Quando junto de ti eu sinto, às vezes,Em doce enleio desvairar-me o siso,Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
O meu peito era um templo - ergui nas arasTua imagem que a sombra perfumava...Mas ah! emurcheceste as minhas flores!Apagaste a ilusão que o aviventava!
E por te amar, por teu desdém, perdi-me...Tresnoitei-me nas orgias macilento,Brindei blasfemo ao vício e da minh'almaTentei me suicidar no esquecimento!
Como um corcel abate-se na sombra, A minha crença agoniza e desespera...O peito e lira se estalaram juntos...E morro sem ter tido primavera!
Como o perfume de uma flor abertaDa manhã entre as nuvens se mistura,A minh'alma podia em teus amores Como um anjo de Deus sonhar ventura!
Não peço o teu amor... eu quero apenasA flor que beijas para a ter no seio...E teus cabelos respirar medroso...E a teus joelhos suspirar d'enleio!
E quando eu durmo... e o coração aindaProcura na ilusão tua lembrança,Anjo da vida passa nos meus sonhosE meus lábios orvalha d'esperança!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário