lhama

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

sábado, 14 de agosto de 2010

Pálida inocência

Pálida inocência






Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?



E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar? Inocência!



Quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! Quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!



Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo t'embalasse
Desmaiada no sentir!



Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!

restart

sábado, 3 de julho de 2010

Alvares de azevedo

Sonhando





Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa, que filha de Deus!
Tão pálida — ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!



Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!



A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma;
De noite — aos serenos — a areia é tão fria,
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia!
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!



A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam — a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!



E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou;
Sentou-se na praia; sozinha no chão
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração,
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!



Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia.
O seio gelou?...
Não durmas assim!
Ó pálida fria,
tem pena de mim!



(...)



E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim;
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!



E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu!
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim!
Não morras, donzela,
Espera por mim!

sábado, 12 de junho de 2010

ANIVERSÁRIO BELL

FELIZ ANIVERSÁRIO MANINHA TE AMUUU DEUS SABE O QUANTO AMU VC TENHA UM FELIZ ANIVERSÁRIO SUA FAMILIA TE AMA LINDA DO MEU CORAÇAO!!!!!!LHAMA

DIA DOS NAMORADOS

Significado do beijo;

1. Beijo na mão...Eu te adoro.
2. Beijo na bochecha...Eu só quero ser um amigo.
3. Beijo no pescoço...Eu te quero.
4. Beijo nos lábios...Eu te amo.
5. Beijo nas orelhas...Eu só estou fazendo joguinho.
6. Olhar nos olhos...Me beije.
7. Brincando com seu cabelo...Não posso viver sem você.
8. Mãos na sua cintura...Eu te amo demais pra te deixar ir embora

Os Três Passos:

1. Garotas: Se algum cara fica fresco com você, dê um tapa nele
2. Garotos: Se a garota te dá um tapa,beije ela
Agora as conseqüências:
Se você quebrar essa carta corrente, você terá má sorte nas suas
relações no futuro

TENHAM UM BOM DIA DOS NAMORADOS!!!!!

sábado, 5 de junho de 2010

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira


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Canção da parada do Lucas


Parada do Lucas
— O trem não parou.


Ah, se o trem parasse
Minha alma incendida
Pediria à Noite
Dois seios intactos.


Parada do Lucas
— O trem não parou.


Ah, se o trem parasse
Eu iria aos mangues
Dormir na escureza
Das águas defuntas.


Parada do Lucas
— O trem não parou.


Nada aconteceu
Senão a lembrança
Do crime espantoso
Que o tempo engoliu.

Manuel Bandeira

O anel de vidro


Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.


Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, –
Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…


Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste…
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste…

sábado, 29 de maio de 2010

Meu anjo

Meu anjo


Meu anjo tem o encanto, a maravilha,Da espontânea canção dos passarinhos;Tem os seios tão alvos, tão maciosComo o pêlo sedoso dos arminhos.
Triste de noite na janela a vejoE de seus lábios o gemido escuto.É leve a criatura vaporosaComo a froixa fumaça de um charuto.
Parece até que sobre a fronte angélicaUm anjo lhe depôs coroa e nimbo...Formosa a vejo assim entre meus sonhosMais bela no vapor do meu cachimbo.
como o vinho espanhol, um beijo delaEntorna ao sangue a luz do paraíso.Dá morte num desdém, num beijo vida,E celestes desmaios num sorrizo!
Mas quis a minha sina que seu peitoNão batesse por mim nem um minuto,E que ela fosse leviana e belaComo a leve fumaça de um charuto!

Lembrança de morrer alvares de azevedo

Lembrança de morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibraQue o espírito enlaça à dor vivente,Não derramem por mim nem uma lágrimaEm pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impuraA flor do vale que adormece ao vento:Não quero que uma nota de alegriaSe cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédioDo deserto, o poento caminheiro— Como as horas de um longo pesadeloQue se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh'alma errante,Onde fogo insensato a consumia:Só levo uma saudade — é desses temposQue amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade — é dessas sombrasQue eu sentia velar nas noites minhas...De ti, ó minha mãe, pobre coitadaQue por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,Poucos — bem poucos — e que não zombavamQuando, em noite de febre endoudecido,Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,Se um suspiro nos seios treme aindaÉ pela virgem que sonhei... que nuncaAos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadoraDo pálido poeta deste flores...Se viveu, foi por ti! e de esperançaDe na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,Verei cristalizar-se o sonho amigo....Ó minha virgem dos errantes sonhos,Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitárioNa floresta dos homens esquecida,À sombra de uma cruz, e escrevam nelas— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—
Sombras do vale, noites da montanhaQue minh'alma cantou e amava tanto,Protegei o meu corpo abandonado,E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d'auroraE quando à meia-noite o céu repousa,Arvoredos do bosque, abri os ramos...Deixai a lua prantear-me a lousa!


Lágrimas da vida



Se tu souberas que lembrança amargaQue pensamento desflorou meus dias,Oh! tu não creras meu sorrir leviano,Nem minhas insensatas alegrias!
Quando junto de ti eu sinto, às vezes,Em doce enleio desvairar-me o siso,Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
O meu peito era um templo - ergui nas arasTua imagem que a sombra perfumava...Mas ah! emurcheceste as minhas flores!Apagaste a ilusão que o aviventava!
E por te amar, por teu desdém, perdi-me...Tresnoitei-me nas orgias macilento,Brindei blasfemo ao vício e da minh'almaTentei me suicidar no esquecimento!
Como um corcel abate-se na sombra, A minha crença agoniza e desespera...O peito e lira se estalaram juntos...E morro sem ter tido primavera!
Como o perfume de uma flor abertaDa manhã entre as nuvens se mistura,A minh'alma podia em teus amores Como um anjo de Deus sonhar ventura!
Não peço o teu amor... eu quero apenasA flor que beijas para a ter no seio...E teus cabelos respirar medroso...E a teus joelhos suspirar d'enleio!
E quando eu durmo... e o coração aindaProcura na ilusão tua lembrança,Anjo da vida passa nos meus sonhosE meus lábios orvalha d'esperança!

muito legal totalmente loko...naruteiros..,.!gente legal...aloka.

E tudu so por causa da ambulancia e o carrinho da policia kkkk muito engraçado ele é um fofo!
que fofissimo amu resenhinha bj naruteiros!
oww fofiçimo amu narutoo..saudaçoes naruteiros!
Ele é fofissimo d+ amu naruto
gostosisimo.pra os naruteiros bjs no curaçao!

É ela! É ela! É ela! É ela!

É ela! É ela! É ela! É ela!





É ela! É ela! - murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou - é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura -
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas-furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
Como dormia! Que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
Um bilhete que estava ali metido...
Oh! de certo... (pensei) é doce página
Onde a alma derramou gentis amores;
São versos dela... que amanhã de certo
Ela me enviará cheios de flores...
Tremi de febre!
Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
Eu beijei-a a tremer de devaneio...
É ela! É ela! - repeti tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! Meu Deus! Era um rol de roupa suja!
Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas
Se achou-a assim mais bela - eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camizinhas!
É ela! É ela! meu amor, minh'alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela...
É ela! É ela! - murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou - é ela!

Amor alvares de azevedo

Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

Na minha terra alvares de azevedo

Na minha terra



Laisse-toi donc aimer! Oh! l'amour c'est la vie.
C'est tout ce qu'on regrette et tout ce qu'on envie,
Quand on voit sa jeunesse au couchant décliner.


.....................................................


La beauté c'est le front, l'amour c'est la couronne,
Laisse-toi couronner!
V. HUGO.




I



Amo o vento da noite sussurrante
A tremer nos pinheiros
E a cantiga do pobre caminhante
No rancho dos tropeiros;



E os monótonos sons de uma viola
No tardio verão,
E a estrada que além se desenrola
No véu da escuridão;



A restinga d'areia onde rebenta
O oceano a bramir,
Onde a lua na praia macilenta
Vem pálida luzir;



E a névoa e flores e o doce ar cheiroso
Do amanhecer na serra,
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra;



E o longo vale de florinhas cheio
E a névoa que desceu,
Como véu de donzela em branco seio,
As estrelas do céu.





II



Não é mais bela, não, a argêntea praia
Que beija o mar do sul,
Onde eterno perfume a flor desmaia
E o céu é sempre azul;



Onde os serros fantásticos roxeiam
Nas tardes de verão
E os suspiros nos lábios incendeiam
E pulsa o coração!



Sonho da vida que doirou e azula
A fada dos amores,
Onde a mangueira ao vento tremula
Sacode as brancas flores,



E é saudoso viver nessa dormência
Do lânguido sentir,
Nos enganos suaves da existência
Sentindo-se dormir;



(...)





III



Quando o gênio da noite vaporosa
Pela encosta bravia
Na laranjeira em flor toda orvalhosa
De aroma se inebria,



No luar junto à sombra recendente
De um arvoredo em flor,
Que saudades e amor que influi na mente
Da montanha o frescor!



E quando à noite no luar saudoso
Minha pálida amante
Ergue seus olhos úmidos de gozo,
E o lábio palpitante...

Meu desejo alvares de azevedo

Meu desejo


Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....



Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....



Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.



Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!



Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....



Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor!

Solidão alvares de azevedo

Solidão

Nas nuvens cor de cinza do horizonte
A lua amarelada a face embuça;
Parece que tem frio, e no seu leito
Deitou, para dormir, a carapuça.



Ergueu-se, vem da noite a vagabunda
Sem xale, sem camisa e sem mantilha,
Vem nua e bela procurar amantes;
É doida por amor da noite a filha.



As nuvens são uns frades de joelhos,
Rezam adormecendo no oratório;
Todos têm o capuz e bons narizes
E parecem sonhar o refeitório.



As árvores prateiam-se na praia,
Qual de uma fada os mágicos retiros...
Ó lua, as doces brisas que sussurram
Coam dos teus lábios como suspiros!



Falando ao coração que nota aérea
Deste céu, destas se desata?
Canta assim algum gênio adormecido
De ondas mortas no lençol de prata?



Minh'alma tenebrosa se entristece.
É muda como sala mortuária...
Deito-me só e triste, sem ter fome
Vendo na mesa a ceia solitária.



Ó lua, ó lua bela dos amores,
Se tu és moça e tens um peito amigo,
Não me deixes assim dormir solteiro
À meia-noite vem cear comigo!

Por que mentias? alvares de azevedo

Por que mentias?


Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?



Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?



Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!



Vê minha palidez- a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?

Saudades alvares de azevedo

Saudades



Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi...
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!



Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos!... sem viver um só momento!



Contudo, no passado uma esperança
Tanto amor e ventura prometia...
E uma virgem tão doce, tão divina,
Nos sonhos junto a mim adormecia!



...



Quando eu lia com ela... e no romance
Suspirava melhor ardente nota...
E Jocelyn sonhava com Laurence
Ou Werther se morria por Carlota...



Eu sentia a tremer e a transluzir-lhe
Nos olhos negros a alma inocentinha...
E uma furtiva lágrima rolando
Da face dela umedecer a minha!



E quantas vezes o luar tardio
Não viu nossos amores inocentes?
Não embalou-se da morena virgem
No suspirar, nos cânticos ardentes?



E quantas vezes não dormi sonhando
Eterno amor, eternas as venturas...
E que o céu ia abrir-se... e entre os anjos
Eu ia despertar em noites puras?



Foi esse o amor primeiro! requeimou-me
As artérias febris de juventude,
Acordou-me dos sonhos da existência
Na harmonia primeira do alaúde.



...



Meu Deus! e quantas eu amei... Contudo
Das noites voluptuosas da existência
Só restam-me saudades dessas horas
Que iluminou tua alma d'inocência.



Foram três noites só... três noites belas
De lua e de verão, no val saudoso...
Que eu pensava existir... sentindo o peito
Sobre teu coração morrer de gozo.



E por três noites padeci três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrer - e espero ainda!



A ti se ergueram meus doridos versos,
Reflexos sem calor de um sol intenso,
Votei-os à imagem dos amores
Pra velá-la nos sonhos como incenso.



Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,
Tantas noites de febre e d'esperança...
Mas hoje o coração parado e frio,
Do meu peito no túmulo descansa.



Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo.